quarta-feira, 19 de outubro de 2011

DE GLÓRIA EM GLÓRIA

Na segunda epístola de Paulo aos Coríntios, no capítulo 3, verso 18, temos talvez a mais profunda declaração teológica da Escritura, no que toca ao maior propósito de Deus com relação à criação da humanidade:
“E todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como por espelho a Glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, O Espírito”.
Percebam que segundo a doutrina elaborada à partir da idéia da “queda do homem e da mulher no Éden”, o ser humano que possuía a “Imagem e semelhança de Deus”, perdeu essa Imagem.
O supremo propósito da vinda de Jesus ao mundo, foi nos devolver, restaurar essa imagem perdida.
O propósito parte do Pai, passa pelo Filho e chega até nós pelo Espírito Santo.
Todas as demais coisas, quais sejam dons espirituais e até mesmo o chamado “Fruto do Espírito”, dependem desse processo gerado pelo Espírito Santo no ser humano aberto para a Redenção.
É o ápice da re- criação!
Mas o texto deixa claro que é um processo, e não uma obra instantânea: “Transformados de Glória em Glória”!
Algo incipiente acontece quando a humanidade é alcançada pelos méritos da Redenção, mas nada disso termina neste mundo, mas projeta-se para a eternidade, estuário de todas as aspirações e manifestações metafísicas que se desdobrarão nas eras infindas.
Por enquanto, nossa percepção ainda necessita de representações da “coisa em si”, daquele mundo definitivo, e tudo que podemos apreender nos vem como reflexos de um espelho.
Isso é apenas o desdobramento daquilo que Paulo já fala em sua primeira epístola aos Coríntios no capítulo 13 verso 12, quando afirma que, “por enquanto, vemos as coisas como por um espelho (enigma) obscuramente”.
Vamos então, como na escada da revelação de Jacó, subindo de um degrau a outro de Glória.
Todo nosso conhecimento e capacidade para expor, é parcial, e aguardamos um estádio de coisas nos quais nossas percepções libertas das contingências físicas, possam nos permitir adentrar naquela dimensão a qual “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram e nem passou jamais pelo coração(entendimento) de homem algum”.
João, pelo mesmo Espírito, revela em sua epístola que: “Já somos filhos de Deus, mas, ainda não se manifestou plenamente o que havemos de ser” (I João capítulo 3, verso 2).
Sendo o processo de salvação algo infinitamente mais amplo que essa idéia de “perdão de pecados e mudança de endereço da terra para o céu”, podemos ter certeza, que essa transformação moral e metafísica que nos levará por toda a eternidade a mergulhar na compreensão dos infinitos atributos e manifestações do ser de Deus, jamais terá fim.
O céu não será o ponto final, mas o arrebatamento apenas marcará o inicio de uma nova etapa que seguirá para sempre e sempre – na qual as leis que agora nos limitam e os horizontes estreitos que nos confinam às dimensões físicas – uma vez ultrapassados, nos permitirá vivenciar dimensões de crescimento e compreensões inimagináveis!
Não é à toa, que Tomás de Aquino, o gênio da teologia e da filosofia, após escrever coisas tão ousadas e profundas que desafiam nossa compreensão, escreveu no fim de sua profícua vida, que, “estava tendo experiências místicas de tal ordem, que se sentia incapaz de descrever, e que o faziam compreender que tudo que escreveu durante toda sua vida, não passavam de palhas ante as grandezas daquelas revelações que estava a ter”.
Não foi o que Paulo tentou nos transmitir quando falou de seu "arrebatamento até ao terceiro céu", onde diz que "viu e ouviu coisas às quais ao homem não é lícito referir"?
Sejamos pois humildes e nos mantenhamos permanentemente abertos para novas compreensões e possibilidades de entendimentos da revelação divina.
E jamais esqueçamos que a principal missão e obra do Espírito Santo aqui na terra, diz respeito àquilo que o ser humano “é” e não àquilo que “tem”.
Ele veio habitar em nós, para nos tornar mais e mais semelhantes a Jesus: aquele que foi a Imagem mais perfeita de Deus já existente entre nós.
Todas as outras coisas que vemos as Igrejas ensinando as pessoas a alcançar, são absolutamente insignificantes diante da grandeza dessa excelsa Obra já iniciada e que jamais será plenamente concluída em nós.
Oremos para que possamos compreender essas coisas...

1 Comentário:

Angelo M. Moreira da Rocha disse...

Querido Pr. José Carlos Jr. ESTE VERSÍCULO - 2 Cor. 3.18 - é a minha pregação preferida e estou crescendo, subindo os degraus da escada de Jacó (já sonhei com ela) em santificação e sabedoria espiritual para me fortalecer a ponto de resistir ao peso da presença de Deus - o shekná. Tabernacular, isto é ter alem da presença do Espírito Santo a Imago Dei dentro de nós e, com o rosto desvendado ver a imagem de Jesus Salvador é a maior ESPERANÇA E AMBIÇÃO que um crente pode e deve ter e o Espírito por mãos Santas seguindo as restrições do Pai pode ir construindo em nós. OBS: Se puder informar via e-mail ou por aqui quando estará lá na fisioterapia do Ferchi, seria bom pois Laura tem uma lembrança para o Danilo e o irmãozinho que não conheço. A Paz de Jesus. Prof. Angelo

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